sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A importância do leite

Como a maternidade é um aprendizado infinito, nessa época comecei a aprender a diferença de alguns alimentos. Feijão, por exemplo, tem muito cálcio, assim como outros alimentos. Mas aquele melhor absorvido é o cálcio do leite. Como os 500 ML de leite eram realmente difíceis, o jeito foi tentarmos insistir com queijo, iogurte, receitas com leite, mas o que ela realmente curtia era a comida. Com 1,7 meses, a Fernanda ainda não tinha chegado aos 10 quilos, mas tudo normal, segundo os médicos. O importante foi a progressão do crescimento, pois em um ano, desde os 4 meses de vida, nossas intervenções fizeram com que ela fosse gradativamente ganhando peso.

Efeitos a médio prazo

Com 1,3 anos, tudo estava normalizado. A Fernanda comia bem arroz, feijão, carne, muita fruta e quase nada de “porcarias”como doces ou sucos artificiais. O leite ainda era uma dificuldade. Ela aceitava uns 150 ML de mamadeira pela manhã, ainda dormindo, e variava com um pouco mais à tarde ou à noite, dependendo do dia e de quem oferecesse. Porém, foi nessa etapa que fomos fazer a bateria de exames de sangue. Tivemos mais uma surpresa, embora nessa fase pouca coisa me deixava assustada, depois do que havia ocorrido ao longo do primeiro ano. O exame indicou aumento da “fosfatase alcalina”, que poderia indicar, por exemplo, raquitismo. A Dra. Lúcia pediu que fôssemos a uma nutróloga e uma nefropediatra, para avaliar se poderia ser alguma doença renal. Depois de 2 meses de cálcio, sol e vitamina D, os exames normalizaram. Era sinal dos efeitos da baixa alimentação no primeiro ano e da ingestão baixa de leite, que deveria estar em torno de 500 ML/Dia.

domingo, 6 de novembro de 2011

Com 10 meses, vida normal

Aos 10 meses, tudo começou a mudar. Foram etapas diferentes, mas pouco a pouco tudo ia se enquaixando. Primeiro foi a chupeta, que ela passou a aceitar e foi uma maravilha. Passou a dormir bem mais rápido à noite e, quando começava a ficar incomodada na rua, o bico ajudava a acalmar. E penso que foi a partir disso que ela migrou para a mamadeira. Nós sentimos que o bico, à noite, dava uma sensação de prazer. Assim, quando ela estava quase dormindo, trazíamos a mamadeira. Ela tomava muito pouquinho, mas pelo menos sugava o leite, um movimento que não fazia antes. A rotina passou a ser essa: tentar a mamadeira nas horas do sono.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A comida também demorou

Lá pelos 5 meses, paralelamente às seringas, nossa fono foi tentando introduzir alguns alimentos. A Fernanda não aceitava as papinhas e frutinhas esmagadas que a maioria dos bebês já come lá pelos 5 meses. Eu tinha a expectativa de que com 6 meses ela começaria a comer e que largaríamos as seringas. Mas não foi bem assim. Nem as papinhas da Nestlé ela topava. A Patrícia sempre nos disse que seria necessária uma espécie de treinamento para que ela começasse a comer. E assim o fizemos: colocar a mão na comida, encher a casa de brinquedos na hora do papá, música, algumas horas se sono antes do almoço, tudo era uma tática para a alimentação. Compramos alguns produtos num site americano para estimular a mastigação, tipo umas escovas de dente com vibrador, bonequinhas de morder. E sempre com as seringas. Nessa época, até sair de casa era complicado, pois éramos rigorosos com os horários das seringas e das tentativas de almoço.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Parceiro

Se em casa e com as médicas tínhamos uma parceria, o mesmo aconteceu no trabalho. É muito bom ter um chefe sensível, que entenda a importância dos filhos e como a função “mãe” muda a vida da gente e demanda total dedicação. O Ricardo Englert foi também uma pessoa muito importante para que conseguíssemos recuperar o peso da Fernanda. Coisas que a gente nunca esquece.

Voltando ao trabalho

Em poucas semanas, estávamos adaptados ao novo estilo de alimentação. Com as seringas a cada 3 horas, a Fernanda começou a ganhar peso, mas sempre numa linha de alta observação. Voltei a trabalhar com o coração na mão. Se deixar o bebê em casa já é um trauma para qualquer mãe, aquele período de intensas preocupações tinha um peso ainda maior para mim. Mas confesso que a volta ao trabalho, por um lado, acabou sendo positivo. Sair um pouco de casa depois de 3 meses de inverno e seringas me garantiu um pouco mais de energia. A cada ligação das avós me dando notícias de que a Fernanda havia tomado 90 ML, ou 100ML, eu respirava aliviada. As pessoas perguntavam como estava a Fernanda, era complicado explicar em detalhes o que acontecia, até porque costumavam minimizar o problema: “há crianças que realmente são chatas para comer”, “isso é fase, logo passa”, ou “essa preocupação é coisa de mãe de primeira viagem”. De fato, as pessoas não tinham a dimensão do problema. Hoje eu vejo que isso não era nada definitivo, mas a fase foi difícil.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Quem tem avós, tem tudo

O trabalho em equipe não foi só dos médicos, mas especialmente do pessoal em casa. As avós Neiva e Maria Alzira, além da nossa assessora “Tia Su” foram fundamentais nesse processo, porque precisamos estabelecer escalas de horários. As duas ficaram 100% disponíveis para essa tarefa, vindo em casa diariamente para ajudar com as seringas. Tenho certeza de que não teríamos conseguido passar por essa etapa sem elas, até porque já estava chegando a hora de eu voltar a trabalhar. E só me perguntava: quando isso vai passar?